Landscape And Machines, Rally

Landscape And Machines – Rally de Portugal

Encontrei esta imagem no blog português Zona-Espectáculo, que por sua vez copiou do site Auto Sport. É umas daquelas imagens antigas que achamos no fundo da gaveta e não temos nenhuma informação dela. Não sabemos quem é ou onde é. Aparentemente é na cidade de Lameirinha, ao norte de Portugal.

De qualquer modo, o blogueiro lusitano não podia descrever estas imagens de maneira mais perfeita: “a ruralidade na sua pureza mais fascinante e a tecnologia na sua aceção de maior expressividade.(…) Se há imagens que valem por mil palavras, a foto que ilustra o presente tópico diz tudo acerca do simbolismo que o Rali de Portugal tinha (e ainda tem, porventura em menor escala), numa espécie de ‘osmose’ entre os diversos Portugais de há 25/30 anos.

Vale a pena recordar como era o nosso país (Portugal) na altura. A profusão de auto-estradas que hoje temos era à época uma miragem, as acessibilidades ao interior do país eram escassas e de paupérrima qualidade na esmagadora maioria das situações. GPS, telemóveis ou internet eram sonhos.

Penso, por isso, que o Rali de Portugal era acima de tudo uma manifestação de aculturação entre uma certa ‘tribo’ (na melhor acepção da palavra) urbana, proveniente do litoral, que começava a beber algumas influências que sopravam da Europa evoluída e, em manifesto contraponto, um país rural e isolado com reminiscências do período do ‘estado novo’ naquilo que se convencionou chamar ‘Portugal profundo’. Abordada a questão sob um prisma sociológico, parece-me claro que o Rali de Portugal durante décadas constituiu uma lufada de ar fresco para as populações do interior, sobretudo porque era por si mesmo uma forma privilegiada de trazer calor humano a paragens tão isoladas, tão carecidas de gente, de afectos, de rostos. Além de toda a espectacularidade e emoção do ‘melhor Rali do mundo’, há todo um outro legado, não negligenciável, que a ‘nossa’  prova também teve em de certa forma estabelecer pontes de contacto entre os portugueses e promover um intercâmbio de culturas no nosso país. É muito! Aliás, creio que é muitíssimo!  O Rali de Portugal, portanto, também foi um factor privilegiado de cultura e de conhecimento”.

Estas palavras são a melhor forma de expressar o sentido dessa série e também um ótimo exercício de reflexão. São linhas que mostram que corridas de carros não são apenas corridas de carros.

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